UMA AUSENCIA JUSTIFICADA
Doce como uma colher de açucar eh meu retorno a esta pagina.
O leitor medio deve ter notado minha longa ausencia e talvez se inquietado com o porque - no canto de seus olhos, apos dias sem nenhuma atualizaçao, pode-se ver o inicio de uma lagrima, embora alguns tenham lutado com honra, contraindo seus musculos zigomaticos.
Nao, nao estive doente ou em algum safari numa regiao distante cujo nome soh eh pronunciavel apos uma dose de brandy. A razao pela qual estou em falta com voces, leitores medios, eh muito mais simples- como na vida a maioria das coisas são. Desde o inicio do feriado estive sem acesso a internet. Numa dessas noites, quando lutava por algumas horas de sono, apos um exaustivo dia passado ao telefone (me aborrecendo com meu serviço de acesso a rede, eh claro!), fui acordada repentinamente por estranhos ruidos. Com a coragem de meus antepassados, desci ateh o porao, onde encontrei os causadores de meu problema: dois gordos esquilos haviam roido os fios da conexao a cabo. Acordei o senhor thomas, meu jardineiro, e exigi que tomasse uma providencia. Ainda em seus pijamas, ele respondeu: "Senhora, por Deus...são seres vivos!". Essa rara manifestaçao de humanidade por parte de meu empregado atingiu meu coraçao e me fez pensar em dar-lhe um bonus de natal. "Bom, faça como quiser"-respondi-"So quero esses pequenos invasores longe de meus fios de conexao a net", e me recolhi ao meu dormitorio. Na manha seguinte, dissipados os animos, fui ter com meu corajoso empregado e descobri dois novos habitantes em sua casinha. "Eles dariam uma bela sopa, eu sei. Mas um homem precisa de alguma companhia", foi sua explicaçao. Sorri e autorizei a entrada dos pequenos seres em nossa familia "mas confio no senhor para vigiar esses dois pestinhas! ". E realmente confio, pois o senhor thomas eh honesto e limpo.
MARGARETH ROJAS- 10:23 PM
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CARIOQUINHAS
Apesar de tremerem como garotinhas
No frio da madrugada
Acabam crescendo em voce
A ponto de um poder se afeiçoar a eles.
Voltem sempre
E obrigada por nao trazerem os micos,
Aqueles pilantras!
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MARGARETH ROJAS- 10:17 PM
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Terça-feira, Junho 24, 2003
NA CIDADE DE PEDRA, HOMMOSSEXUAIS EM PARADA
No ultimo domingo, 22, aconteceu a grande parada do orgulho hommossexual de San Paulo. Este ano fui convidada a participar do carro Cera Depilatória, mas infelizmente tive que declinar tão gentil pedido em função de uma gripe repentina. Uma pena, realmente.
Apesar dessa indisposiçao, consegui arrastar meus ossos ateh o apartamento de um velho amigo meu, que oferecia um pequeno ¿queijos e vinhos¿. Entre nós, um ilustre visitante- o secretario de meio-ambiente da Belgica, Jean-Antoine. Da sacada, diante da massa de corpos que, num oceano de cores, avançava pela Avenida, nosso visitante exclamou: ¿Bonito¿.
E o domingo passou, agradavel.
MARGARETH ROJAS- 7:44 PM
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poema para o 22o
no dia em que você nasceu
uma mulher foi atropelada em frente de casa
-isso tirou um pouco o brilho do momento-
eu sei que voce já nao espera a chegada do dia
no qual as feridas em sua boca se transformarão em diamantes
mas o que posso dizer ?
quando eu tinha a sua idade
era mais feliz e bem sucedida
(e minha pele, melhor hidratada)
voce eh tao jovem
e eh uma mulher, uma jovem mulher!
Oh, please! nao deixe a podridao do mundo
estampar uma nodoa fetida em sua alma
e nunca se esqueça da beleza escorregadia dos golfinhos.
(m. para j. - 23.06.2003)
MARGARETH ROJAS- 7:33 PM
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Segunda-feira, Junho 09, 2003
em homenagem ao senhor dutra, que acaba de ser premiado por seu roteiro sobre o CANCER, publico o seguinte poema de sua autoria.
MARGARETH ROJAS- 4:37 PM
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A PODRIDAO DA CARNE
estudara direito e literatura
com especializaçao na lingua grega
e aos 36 anos comprara seu primeiro apartamento
os vermes consumiram seus miolos
em quinze dias, tres horas e cincoenta minutos.
as unhas duraram mais alguns meses.
MARGARETH ROJAS- 4:33 PM
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Domingo, Junho 08, 2003
AFLIÇÕES DE UM JOVEM POETA
o telefone toca e como nenhum criado aparece para atende-lo, margareth rojas eh obrigada a largar seu copo de cha na mesa e caminhar ateh o aparelho.
MARGARETH ROJAS: alo?
MARCO DUTRA: maggie!
MARGARETH ROJAS: senhor dutra! como vai o rio de janeiro?
MARCO DUTRA: esta bom, querida, muito bom. estou muito proximo de encontrar a felicidade, o que me angustia. voce sabe, tal busca tem sido a razao de minha vida, nao sei o que farei depois...
MARGARETH ROJAS: pode ser o inicio de uma nova fase. Picasso teve das suas, tambem.
MARCO DUTRA: sim, mas... sera que perderei minha criatividade?
MARGARETH ROJAS: voce nao sofreu as mesmas inquietaçoes quando começou a fazer analise?
MARCO DUTRA: sim, mas com a analise eh diferente... tenho conseguido com sucesso enganar meu analista há sete anos. Hoje somos grandes amigos, dou-lhe uma caixa de uisque todo natal. Nao se pode fazer o mesmo com a Felicidade: uma vez que se encontra com ela, um nao pode ignora-la. Eh como ser atropelado por um caminhao de leite.
MARGARETH ROJAS: creio que escrevi um poema sobre o assunto: "...eis que chega a Felicidade,/ com seus seios transbodando/grossas gôtas de leite e mel/perto desta dama/todos querem se sentar/homens e mulheres/e ateh as vovozinhas"
MARCO DUTRA: sim, conheço cada palavra deste poema. pungente como uma agulha de tricot.
mas escute com atenção, maggie: esta pode ser sua última conversa com o marco dutra miserável. a partir daqui não respondo por mim (deus sabe o que mais um ou dois dias de sol e côco verde podem fazer à minha alma torturada). ligo para fazer um pedido: não me deixe esquecer da podridão da carne, da possibilidade do câncer, da escuridão do universo.
MARGARETH ROJAS: tudo bem, querido. eu prometo.
MARCO DUTRA: ... e por favor, regue minhas violetas.
margareth rojas desliga o telefone e volta a tomar seu chá, enquanto marco dutra continua sua jornada rumo ao gozo permanente e à pasmaceira criativa, pensando, talvez, na auto-mutilação como instrumento para minimizar os efeitos da felicidade que o espera.
MARGARETH ROJAS- 4:07 PM
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Sábado, Junho 07, 2003
(para humor, quebra-cabeças e mais historias sobre Bridge, clique aqui).
MARGARETH ROJAS- 3:32 PM
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Sexta-feira, Junho 06, 2003

MARGARETH ROJAS- 3:08 PM
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UM CASO EXEMPLAR
As reuniões da Liga das Senhoras Pelo Bridge e Contra a Miséria ocorrem toda segunda-feira à noite.
Jovens senhoras de diversos setores da sociedade se reúnem para jogar bridge e discutir sobre as mazelas sociais que tanto afetam nosso país.
Tenho participado religiosamente de todos esses encontros, desde que me tornei menbro honorária, em 1998. Nesta segunda em particular, o tema era "Responsabilidade Social e Bridge: a lição do Valete", e Pollyana Macedo deveria dar uma pequena palestra. Antes de prosseguir, devo esclarecer que Pollyana, cujo marido é chairman do conselho de medicina de Ibitinga, é uma mulher extremamente culta e respeitável até o osso.
Esperamos por cerca de 30 minutos a chegada da palestrante. Algumas senhoras, com os ânimos elevados pelo scotch, diziam-se ultrajadas e juravam nunca mais dirigir a palavra à displicente convidada. Foi quando Pollyana entrou no salão de convenções, completamente ensopada. Após reaquecer os ossos com uma boa dose, nossa amiga nos contou o motivo de tamanho atraso: ao chegar no pátio do hotel onde realizamos as reuniões, Pollyanna tropeçou em uma das espreguiçadeiras e deixou cair na piscina seu baralho de estimação. Seu amor pelo jogo fez com que pulasse imediatamente na água, esquecendo-se de que a última vez que estivera numa piscina fora em 1978. Por sorte, seus gritos estridentes atraíram a atenção dos funcionários do hotel, que conseguiram resgatar mulher e baralho a tempo.
Devidamente perdoada, Polyanna festejou conosco e prometeu repor a palestra assim que sua agenda permitisse.
A história dessa respeitadíssima senhora serve para mostrar que, para o Amor e para o Bridge, não existem limites!
MARGARETH ROJAS- 11:40 AM
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Quinta-feira, Junho 05, 2003
MARGARETH SEM FRONTEIRAS
a sempre leal universidade de stanford disponibilizou ontem uma versão em inglês deste humilde site. para a tradução, foi chamado o queridíssimo waly salomão, poeta e amigo. o resultado pode ser visto em marco dutra in english.
poesia para todos!
MARGARETH ROJAS- 5:37 PM
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Quarta-feira, Junho 04, 2003

MARGARETH ROJAS- 11:18 PM
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O CHEIRO DA CASTANHA ASSADA
jah viajei o mundo inteiro e posso dizer com propriedade que nao existe sensaçao como a da volta ao lar. todos precisamos de um utero, um lugar em que possamos descansar e revigorar nossos corpos desgastados pelo stress da existencia em uma sociedade corrompida. para mim a casa, meu staff, meu jardim, sao meu utero, meu porto seguro. chegando em sao paulo, fui recebida com muito carinho por meus criados. havia trazido lembrancinhas para cada um deles (saches personalizados no formato do cristo redentor!) e grande foi minha surpesa ao ver tal amor retribuido. salete, a copeira, me preparou um pequeno mimo: durante o jantar, encontrei entre o recheio do perdiz assado um pequeno alfinete com o cartao: "para a sra. rojas: uma agradavel volta." - escrito em caprichosa letra de mao ...eh esse tipo de brincadeira que torna nossa vida especial. no fim da noite, outra surpresa: dona giovanna, nossa cozinheira, mandou subir um cha que continha a medida exata de sonifero para me fazer mergulhar num sono tranquilo, sem sonhos, para finalmente acordar como que ressurgida de um coma, catorze horas depois.
como eh bom estar de volta!
MARGARETH ROJAS- 10:09 PM
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Terça-feira, Junho 03, 2003
DE VOLTA A SAO PAULO, A LONDON BRASILEIRA
compromissos com meu grupo de bridge me impediram de permanecer no rio de janeiro. deixei meu bom amigo marco dutra por conta propria, somente apos ele prometer nao se afogar no pus de sua popularidade crescente.
em nosso ultimo dia juntos, vestimos nossos trajes de domingo e tomamos A BARCA em niteroi. foi uma experiencia supimpa! em meio a gente simples e boa, com a brisa batendo em nossos rostos, tivemos o seguinte dialogo:
MARCO DUTRA: momentos com esse me fazem esquecer da podridao do mundo. acho que eh possivel dizer que sou quase feliz.
MARGARETH ROJAS: que bom, senhor dutra. nossa passagem pelo rio tem sido realmente formidavel. as festas,as pessoas... e quase nao sofremos nenhum incidente ocasionado pelos micos.
MARCO DUTRA: os micos... nao me fale desses malditos! os cariocas sao tolerantes demais... se isso acontecesse em sao paulo...jah tivemos algo semelhante, foi em 1991, nao sei se vc estava no pais. uma terrivel invasao de castores. cuidamos do problema em uma semana, eu inclusive fui voluntario na preparacao de castanhas especiais que...
MARGARETH ROJAS: querido, essa sua obssessao por pequenos animais eh pouco saudavel, alem de prejudicial a sua reputaçao. mudemos de assunto.
MARCO DUTRA: desculpe. estou em tratamento.
MARGARETH ROJAS: deve ser dificil.
MARCO DUTRA: eh uma dor que nao acaba.
(chega um AMBULANTE, carregando uma sacola com mercadorias diversas)
AMBULANTE: bom dia.
MARGARETH ROJAS: bom dia. O que o senhor traz ai?
AMBULANTE: biscoitos. Em cinco sabores.
MARCO DUTRA: quanto eh?
AMBULANTE: um real.
(MARCO DUTRA vasculha por algumas moedas entre os bolsos de seu traje de domingo)
MARGARETH ROJAS: o senhor trabalha ha muito tempo com biscoitos?
AMBULANTE: nao, uns tres meses...antes eu vendia agulhas, mas nao tinha a mesma saida.
MARGARETH ROJAS: acho que os cariocas nao se importam de viver de meias furadas.
AMBULANTE: o senhor pode me dar o que tem, eu completo.
MARCO DUTRA: aqui tem oitenta e cinco... deixei meu dinheiro nas outras calças.
AMBULANTE: esta bom. Vai levar qual? Tenho queijo, bacon, camarao, doce e tradicional.
MARCO DUTRA: hum... o que voce acha, maggie?
MARGARETH ROJAS: acho que, so por hoje, podemos optar pelo tradicional.
MARCO DUTRA: ha, ha!
AMBULANTE: aqui está...
MARCO DUTRA: obrigado.
MARGARETH ROJAS: adeus, amigo!
(o AMBULANTE sai, carregando sua sacola)
MARGARETH ROJAS: eh um bom homem: espero que nao se acabe no alcool e na vadiagem.
MARCO DUTRA: biscoitos?
MARGARETH ROJAS: sim, claro!
MARCO DUTRA: que dia maravilhoso! faz um sentir vontade de viver a vida ao maximo. realmente, maggie, precisamos fazer mais videos em parceria! Sinto que em voce existe a mesma energia criativa que pulsa dentro de minhas entranhas.
MARGARETH ROJAS: desculpe, querido: nao escutei uma palvra! Estava mastigando.
MARCO DUTRA: eu disse: "que dia maravi...
(A BARCA avança em discreta velocidade, enquanto potes vazios de margarina e metades de cocos verdes se precipitam contra o casco da embarcaçao, revolvidos pela agua suja. Em algum lugar uma gaivota, vitima de um ataque cardiaco fulminante, cai morta, ferindo dois turistas)
MARGARETH ROJAS- 3:20 PM