A CHAMPANHE BORBULHA
paralelamente à mostra de vídeos está acontecendo a competitiva de curtas internacionais. muitos estudantes estrangeiros vieram para acompanhar a exibição de seus trabalhos e desfrutar da hospitalidade nacional. conversando com um estudante alemão, elogiei a iniciativa de festivais como este, que possibilitam o contato entre alunos das mais diversas nacionalidades, que quem sabe um dia poderão se unir e produzir uma arte sem fronteiras. o estudante tomou um gole de vinho e sorriu enigmaticamente. dada a limitação de meu alemão (não praticava há cinco anos), nos resignamos a conversar sobre a localização do banheiro.
MARGARETH ROJAS- 5:09 PM
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MANOEL CARLOS ESTAVA CERTO.
o rio realmente é o melhor lugar para se viver e se apaixonar, a tal ponto que as pessoas que não vivem ou não se apaixonam chegam a se sentir discriminadas nesta cidade. sempre prestativas, as companhias de turismo recentemente tomaram a iniciativa de advertir os clientes sem amor sobre tais efeitos proporcionados pela cidade, oferecendo-lhes, ao invés, pacotes para cidades como Palmas-TO e Campinas-SP, regiões onde se pode saborear com liberdade uma existência miserável.
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é claro que nem tudo são flores. é preciso muita cautela ao passear pelas calçadas da cidade. no rio de janeiro um pode ser, a qualquer momento, atingido na cabeça por um côco verde- uma das muitas travessuras que os micos costumam aprontar.
MARGARETH ROJAS- 4:58 PM
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É VERDADE. aceitei o convite de meu mui amigo marco dutra e cá estou no rio de janeiro, pela primeira vez, se é que é possível acreditar.
deixamos a nebulosa são paulo na quarta-feira e fomos direto para a festa de abertura, onde confraternizamos com jovens e sensuais garotinhos cineastas de todo o país.
em meio à celebração, encontramos com eduardo valente, recém-chegado de cannes, que recomendou fortemente que tomássemos A BARCA.eu e o senhor dutra aceitamos com respeito a sugestão e pretendemos experimentar o exótico meio de transporte em breve. a possibilidade de mistura entre os populares promete ser bom material para pesquisa sociológica.
MARGARETH ROJAS- 4:43 PM
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Sábado, Maio 24, 2003
o poema abaixo faz parte de uma coletânea intitulada "eu e meus criados". por muito tempo mantive sentimentos controversos sobre esta obra.Hoje consigo vê-la sob perspectiva: trata-se de uma peça de transição entre uma fase de timidez formal (pois estudei num colégio de freiras) e uma de experimentação intensa (foi quando marco dutra chegou e libertou meus versos-ele disse: "margareth, querida, ninguém pode nos obrigar a rimar rato com prato").
MARGARETH ROJAS- 10:23 AM
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Sexta-feira, Maio 23, 2003
DISTÚRBIO DOMÉSTICO
I
Janete
Confundiu açúcar com cianureto
De uma coisa ela podia se orgulhar:
Tinha as unhas verdadeiramente limpas.
II
Já Dalva não era tão asseada
Mas era criativa e fazia um bom prato
O seu maior sucesso
Foi a caçarola de frango
Com veneno de rato
III
O senhor Thomas amava minhas begônias
Vigiava-as com tal zêlo
Que, distraído,
quase me atropelou com o cortador de grama
IV
Essas foram apenas três
das muitas vezes que eu quase morri
Se eu ganhasse um dólar por cada uma
Compraria um belo par de botas
(ainda assim, amo a minha casa!)
MARGARETH ROJAS- 6:02 PM
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Quinta-feira, Maio 22, 2003
escrevi o romance abaixo durante um cruzeiro para as ilhas galápagos, na época em que meu marido buscava desvendar a origem das tartarugas. Busquei, com essas trajetórias, compor uma narrativa que fosse uma ode à esperança. A greve de fome do macaco é apenas a primeira de uma série de provações que a SENHORA experimentará: seu marido morrerá atingido por um cofre de 1 tonelada enquanto passeia calmamente pela calçada; sua plantação de orquídeas será devastada pelos efeitos da geada e finalmente, após uma série de mal-entendidos, a SENHORA será injustamente acusada de abuso sexual pela paróquia de sua comunidade- tudo isso para responder a pergunta inicial: "existe alguma (maldita) felicidade nesta vida?"-SIM! A amizade entre a SENHORA e o RAPAZ, fortalecida pela chegada do HOMEM DE CHAPÉU CÔCO, nos ensina que para adoçar a vida só é preciso um pouquinho de humanidade, chá e meia dúzia de pêras. No epílogo, vemos todos os personagens reunidos em volta de uma mesa farta, e o livro termina com a frase "...e todos foram vergonhosamente felizes para sempre, até suas artérias estourarem". Uma frase um tanto pretenciosa, admito.
MARGARETH ROJAS- 6:23 PM
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Quarta-feira, Maio 21, 2003
"(...)
A senhora e o rapaz conversam sob a chuva.
SENHORA: eu entendo, mas admita que é preocupante. Aquele macaco não come há três dias!
Um HOMEM ESTRANHO se aproxima dos dois.
ESTRANHO: com licença...como faço para chegar ao largo do ornitorrinco?
RAPAZ: pegue o circular e desça no terceiro ponto após a estátua do bandeirante careca.
ESTRANHO: obrigado.
RAPAZ: mas,Lola...vamos dar tempo ao tempo. Tenho certeza que tudo se resolverá com dialógo.
SENHORA: tem dias que eu levanto e penso que não existe felicidade alguma nesta vida.
ESTRANHO: o senhor sabe se eles ainda vendem pêras por lá?
O rapaz e a senhora se entreolham e explodem numa gostosa gargalhada.
RAPAZ: sim, as mais gôrdas e frêscas!
Um ônibus chega e dele desce um cavalheiro de chapéu côco"
(ELA ERA SÓ UM ABACATE DE ÚTERO RUIM-romance em cinco capítulos)
MARGARETH ROJAS- 12:59 PM
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Quinta-feira, Maio 15, 2003
DA SÉRIE "FRAGMENTOS ENCONTRADOS EM MINHA BOLSA"
"(...)
-realmente, Charles, você tem cada idéia!
Audrey arrumou seu lenço de seda e deu um último gole no gin-frizz. Os dois permaneceram em silêncio até o criado trazer os camelos.
-Pelo menos não teremos que jantar com o cônsul. Ele tem péssimo hálito."
(do conto "As Famosas Botas de Charles"}
MARGARETH ROJAS- 11:57 AM
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o poema abaixo eh dedicado à minha meia-irmã, aonde quer que ela esteja.
MARGARETH ROJAS- 11:46 AM
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Quarta-feira, Maio 14, 2003
MEU BEBÊ CEBOLA
garotinha
você sempre foi minha
garotinha
meu bebê cebola
o mundo eh um lugar fétido, eu sei
mas você vai conseguir
apareça quando quiser
baby baby
my orion baby
margareth rojas 14.05.03
MARGARETH ROJAS- 10:26 AM
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Terça-feira, Maio 06, 2003
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CONFIDENCIAL 06.05.03
foi vista entrando num supermercado local uma senhorita que se assemelhava a juliana rojas, embora alguns anos envelhecida. a mulher que pode ou nao ser a srta. rojas entrou no estabelecimento sem alarde e comprou cebolas - duas ou tres, afirmam testemunhas. em dado ponto, a srta em questao iniciou conversa com um cavalheiro que tambem comprava cebolas e os dois ficaram la por certo tempo, trocando algumas palavras e ignorando o fato de que compravam cebolas. Apos o incidente, a suposta srta rojas se dirigiu ao caixa , onde efetuou a compra em silencio e se diluiu na multidao de pedestres.
Nelson Batata
investigador particular
MARGARETH ROJAS- 12:37 PM
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Sexta-feira, Maio 02, 2003
Foi em 1994 que publiquei "Intercursos" - um pocket book de poesias eróticas autobiográficas. O livro teve tiragem reduzida e rendeu criticas contraditorias, mas foi bem recebido pelo publico alternativo. Em 1997, vendi os direitos de adaptação cinematográfica para meu bom amigo Harvey Keitel.
MARGARETH ROJAS- 10:13 PM
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NO CONGRESSO ANNUAL EM LENINGRADO, UMA EXPERIENCIA HOMOSSEXUAL
Uta levantou a saia lentamente e me mostrou sua perna mecanica
Feita de madeira muito boa e solida
A tarde correu doce em seu dormitorio
Ate sairmos Quinze minutos antes do seminario sobre keats
MARGARETH ROJAS- 10:09 PM